Wagner Willian nasceu com o dom do desenho. Criança na Florença do século XV, teria sido posto em aprendizado num ateliê importante, como o de Verrocchio, ao lado de Leonardo da Vinci, Botticelli e Perugino, que deram ali seus primeiros progressos artísticos. No Brasil dos nossos tempos, trabalhou na publicidade para sobreviver. Mas a comichão da pintura não o abandonou.
Pôs-se a inventar telas combinando imagens. Seu olhar nunca vai diretamente para a observação do mundo. Ele nutre-se de imagens já prontas, consagradas, ou de fotos: um filtro necessário para o tratamento altamente cultural que confere a elas. Combinando-as de modo a misturar irrisão e fascínio, Wagner William consegue provocar ao mesmo tempo familiaridade e estranhamento. A ironia crítica que suas telas contêm carrega-se de ressonâncias insidiosas, às vezes desconfortáveis, um pouco provocadoras, e sempre portadoras de uma estranha sedução. Embaralham passados diversos, longínquos ou próximos, transformando-os em presente.
São fortemente atuais, mas oferecem também a sensação de uma estabilidade para além do momento ou da moda. Isso é causado pelo fato de que são pinturas de fato, não colagens, nem produzidas por efeitos computadorizados. É a alta técnica e o sentido artístico, ancorados em antigas tradições, que lhes confere sua grandeza singular.
Jorge Coli
Texto publicado no folder da exposição na Galeria Vertente - julho de 2011.
Correio Popular - matéria sobre a exposição.
Texto publicado na revista online Made in Japan
http://bit.ly/omuJM2
Revista Zupi nº 20
Revista Zupi Erotika nº 2
Ideafixa nº 21
Ideafixa nº 22
Daily Inspiration
arte é estilo. e estilo é arriscar até o último round.
Exposições Individuais
2011 - Saravá Bangs (Galeria Vertente - Campinas/SP)
2006 - Abate! (Passagem Subterrânea da Consolação - São Paulo/SP)
Exposições Coletivas
2009 - Bunkyo - (Museu da Imigração Japonesa - São Paulo/SP)
2007 - Des(d)enhos (Passagem Subterrânea da Consolação - São Paulo/SP)
Séries:
Ukiyo-e BANZAI! - furta da arte japonesa suas cerejeiras cultivando-as num terreno subversivo e particular, submetendo os retratos do mundo flutuante às iconografias do mundo moderno.
Sobre Instintos - """devo golpea-lo sem raiva e sem ódio como um açougueiro",... escreveu baudelair. sem raiva e sem ódio como uma simples satisfação de assassinos que assobiam ou cantam como se tivessem uma garganta furada para ganharem o pão de cada dia, e pra outros, o salário de uma profissão difícil e sempre perigosa."
texto extraído do filme francês de 1949, Les Sang des Bêtes.
sobre a superfície em estado de calma, essa humanidade animalesca, a figura de um animal lambendo as feridas de uma personalidade moral capaz de negar a completa e primitiva dualidade do homem era um lobisomem sem barba. quando a estupidez fala mais doce, quando a vulgaridade é real e lhe concede todos os direitos, quando o sentimento de sua monstruosidade e fraqueza deita-se como pluma sob lume nas veias. essa força inédita que não sugere qualquer tipo de pretensão é apenas você despindo-se diante de mim.
"mas já não era possível distinguir quem era homem, quem era..." orson wells, "a revolução dos bichos." Orson Orwell
Maracutaia – um pastiche, uma verborragia visual usando ícones da cultura de massa, sugerindo novas configurações dentro de uma estética emocional.
Nicotina - depois de quase 3 anos sem fumar, não pude mais resistir e meti o charutão na boca de várias pinturas
Nua e Crua – até que ponto sua nudez é legítima? mulher pelada é uma coisa, nua é outra completamente diferente. quando eu convidei cada uma dessas mulheres aqui retratadas a posarem para mim, elas se mostraram extamente assim como estão, nuas.
agora em sua segunda fase, foi embora a descontração para entrar a nua e crua realidade.
As Barbas de Lázaro - assim como lázaro, a pintura também enfrenta mortes e renascimentos durante todo seu processo. é através das sobreposições em busca de uma imagem que escapa, dos resíduos das camadas retiradas, da pintura propriamente dita que se configura o rosto de lázaro. o cristianismo concebeu em sua história a existência de dois: o leproso dos cães e o que se levantou dos mortos. ambos figuras genuinamente mórbidas, “lazarentas”, como o próprio nome diz.
máxima trash: um defunto em decomposição de quatro dias sair caminhando por aí deveria ser horrível, no entanto, transformou-se em algo sublime, um milagre.
esse show de horrores poderia dizer algo sobre a natureza humana. e diz, pela saliva dos vira-latas sobre as feridas expostas, atravessa a putrefação da carne e a morbidez na ausência da cor de uma literatura fascinante: esse paradoxo de repulsa e desejo, a tonalidade ideal talvez seja essa, um lázaro cambiante, tentando achar a forma que traduz imaterialidade em vida.
Cine qua non - roubadas de cenas sine qua non de alguns filmes, funcionam perpendicularmente às outras pinturas, criando assim uma arte sequencial, narrativa como se reagisse à justaposição de imagens dentro de um valor expositivo.
Samsara blues - samsara pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos. e a pintura não é nada mais do que isso: fluxos de tinta numa transmigração de cores e formas. não havia um título mais adequado para designar essa série do que samsara blues (o blues aqui funciona mais pela sonoridade do que pela "morte" anunciada). ao invés de me aquecerem no inverno ou despacha-las como mimosidades para entes queridos, um belo dia, depois assistir pela terceira vez ao filme do pollock, a mão coçou para repinta-las, quis liberdade sobre a superfície já estruturada. uma descarga elétrica para tentar reviver as pinturas que não me serviam mais. se a pintura possui vantagens, essa é uma delas: sua possibilidade de mutação.
"it's alive! it's alive!" Victor Frankenstein
Da espiritualidade na arte - porque "Gott ist tot". Nietzsche
Porco às pérolas, serão todos animais - não há dúvidas de que os x-men e outras personificações mutantes façam sucesso. há uma nova humanidade e essa humanidade é bestial.
Saravá bangs - a mitologia sempre exerceu seu charme e está em constante renascimento. basta assistir a alguns episódios de star trek, senhor dos anéis ou ler sandman. darth vader, para alguns, atende às mesmas necessidades psicológicas de um deus romano. algumas dessas novas mitologias desenvolvem sistemas filosóficos profundos e são capazes de indicar um nuance de aspecto moral em formas duvidosas e "gastrônomicas". é claro que tudo se reduz à entretenimento, e as advertências do he-man ao final de cada episódio serviam apenas para lembrar que o almoço estava na mesa.
para retratar o corpo do minotauro, do fauno e mais recentemente do deus baco, na falta de um modelo mais apropriado, representei a mim mesmo (hohoho), assim como outros elementos que me são tão próprios. mitologia em nossas vidas. mitologia ao alcance das mãos. mitologia que eu chamo de saravá BANGS!
e hasta la vista, baby
Falsos Budas - um falso buda é aquele que não atingiu a iluminação. como Tomé a cristo, tendo apenas tocado na barriga do nirvana, ele quase chegou lá. e esse "quase", essa falência, rompe a porcelana fria afirmando seu estado mórbido.
degolados, esses falsos budas são expostos à memória daquela conhecida foto da degola do bando de lampião, mas não como pretensos troféus como aquelas cabeças foram, e sim como submissão ao constante fracasso espiritual.
MAIS TRABALHOS em:
http://www.flickr.com/photos/wagnerwillian/sets/
Galeria Vertente> http://bit.ly/iI5haT
ENGLISH
“Abate” – this series came to visually represent to the man his self-consume, appealing to the image brutality of the raw meat.
"Ukiyo-e BANZAI!" steals of Japanese art your cherry trees growing them in a particular field subversive, submitting pictures of the floating world iconography of the modern world.
"Sobre Instintos primários" "but it was not possible to distinguish who was a man who was ..." Orson Orwell
“Maracutaia” – it is a visual verbiage using mass culture icons, suggesting a new symbolism.
"Nicotina" - after almost 3 years without smoking, I could not resist and got into the stogie in his mouth several paintings.
“Nua e Crua” – with the purpose of discussing the nude portrait itself: what is really the nude topic?
"Cine qua non" just a few scenes sine qua non from the movies.
"Samsara blues" samsara can be described as the incessant flow through the worlds of rebirth. and the painting is nothing more than that: the ink flows in a transmigration of colors and shapes. paintings that were practically dead have now been killed.
"Da espiritualidade na arte" - because "Gott ist tot" Nietzsche
"Porco às pérolas, serão todos animais" - There is a new humanity and that humanity is beast.
“Saravá Bangs - (mitos)” – mythology has always had its charm and is in constant revival. just watch a few episodes of star trek, lord of the rings or read sandman. darth vader for some answers to the same psychological needs of a roman god. some of these new mythologies develop deep and philosophical systems are capable of indicating an aspect of moral nuance in dubious ways and "gastronomic events. " of course it all comes down to entertainment, and the warnings of the he-man at the end of each episode only served to remind us that lunch was on the table.
mythology is in our lives. mythology at hand. mythology that I call sarava BANGS!
and hasta la vista, baby
"Falsos Budas" - Buddha is a false one that did not reach enlightenment. like Thomas for example, having just touched the belly of nirvana, he almost got there. and this "almost" that bankruptcy, breaks the cold porcelain affirming their morbid state.
beheaded, those false buddhas are exposed to the memory of that well-known photo of the band sticking to the lampião, but not as alleged were those heads as trophies, but as constant submission to spiritual failure.
MORE WORKS http://www.flickr.com/photos/wagnerwillian/sets/
Campinas/SP by Galeria Vertente> http://bit.ly/iI5haT
Exhibitions
some out there
REMEMBER
art is style and style is to risk until the last round.